Colaboraboradores convidados

RIO HELP

A view of the Christ the Redeemer statue and the Morro da Coroa favela or shantytown (Coroa Hill) in Rio de Janeiro, Brazil, on November 8, 2017.
In the favelas of Rio de Janeiro, clashes between police and traffickers have no time or place. They happen next to a school full of children or when people are leaving a church. This undeclared war with high-powered weapons intensified after the 2016 Olympic Games. The most brutal face of the economically collapsed city of Rio is reflected in the growing number of victims of stray bullets, mainly in the favelas where a quarter of the city’s population lives, but also in the wealthy neighborhoods that surround them. AFP’s “Stray bullets” project tells some of the victims’ stories. / AFP PHOTO / MAURO PIMENTEL (Photo credit should read MAURO PIMENTEL/AFP/Getty Images)

“O Rio? paraíso para poucos” – um carioca, morador de “comunidade”.

Há 42 anos, após navegar o rio São Francisco de vapor, fixei-me no no Rio – morro de Santa Teresa, aluguel então acessível a jornalistas de classe média, como os amigos Luís Turiba/Lúcia Leão, Joyce Araújo e Lúcia Murat.

Temor das sete favelas? “O ‘pessoal’ sabe quem é morador e não o assalta”, a gente se gabava. Garotos pobres grimpavam pelo bondinho. A Petrobrás, no sopé do morro, era a joia da vaca estatal. Na decadente Lapa, à luz do sol tropical, endeusada pelo cancioneiro de Chico e Caetano, o “meu guri” vendia cigarros de maconha em taboleiros.

Maior, mais antiga e hegemônica cultura urbana brasileira, o Rio era o Brasil. As casas na rua onde nasceu meu primeiro filho foram contemporâneas de Machado de Assis. Mas a escassez de empregos era visível. Começava uma onda nova de assaltos. Espantoso o hotel Nacional, símbolo fumée do Brasil Grande da ditadura; ao fundo a já enorme favela da Rocinha.

O esvaziamento começou com a mudança da Capital. Também migrei para a sucursal do JB em Brasília. Simonsen – czar da economia – disse-me um dia: uma saída para o Rio seria transformar-se em off shore financeira internacional. Virou foi rota do tráfico internacional. O dinheiro novo da cocaína armou pesado o “meu guri”, já bandido escolado.

O Rio encena outra “ópera do malandro”, peça em crescendo desde 1960. Favelas conurbando-se. Desestruturação das instituições de segurança. Territórios disputados entre bandidos-milicianos e os puro-sangue. A corrupção lulopetista detonou a Petrobrás, um dos carros-chefes da economia local. Recessão e desemprego catapultaram as contradições urbanas, pois nem só do tráfico de drogas vive a imensa população excluída. Governos populistas (Chagas Freitas, Brizola) e sistemicamente corruptos (Sérgio Cabral & Cia), mexicanizaram a tragédia de Marielle.

José Roberto da Silva

Jornalista e Escritor .

20 março 2000 e 18.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site está protegido. Para compartilhar esse conteúdo, por favor utilize as ferramentas de compartilhamento da página.

error: Este site está protegido.